
As lesões desportivas são um problema com o qual os atletas se deparam todos os dias. Vários factores estão na origem de uma lesão, físicos, psicológicos, nomeadamente, o stress. As lesões desportivas provocam muitos danos físicos, mas também podem ter efeitos nefastos em vários aspectos do funcionamento psicológico.
A lesão pode ter um impacto nos pensamentos e emoções do atleta. Relativamente aos pensamentos do atleta, a lesão desportiva está associada a uma redução da auto-estima e de auto-confiança física. Será natural os atletas, a nível emocional, experimentarem sentimentos de raiva, ansiedade, medo, frustração e depressão. Os efeitos psicológicos das lesões dependem do próprio atleta e do tipo de gravidade da lesão.
Em Portugal existem alguns estudos nesta área que têm vindo a responder a algumas questões.
No estudo de Palmeira (1999), que acompanhou 97 atletas de alta - competição numa época desportiva, verificou-se que 39% tiveram uma lesão. As situações de stress negativo foram a variável que mais se associou, directamente, à situação de lesão.
As consequências psicológicas da lesão no desporto, dividem-se em respostas cognitivas, emocionais e comportamentais. As consequências cognitivas dizem respeito à forma como o atleta procura analisar o que lhe aconteceu, avaliando a sua situação. É um momento de ponderação, onde muitas vezes os atletas apresentam os seguintes pensamentos “Ok, já tive lesões semelhantes a esta, já sei o que devo fazer” ou então “O que é que me está a acontecer?
Esta resposta cognitiva, vai interagir com a forma como o atleta vai reagir emocionalmente. No primeiro caso, poder-se-á esperar que o atleta entre no “confronto activo com a lesão”, não existindo uma influência negativa das suas emoções (por exemplo, ansiedade ou depressão) na reabilitação. No segundo caso, o atleta pode entrar em situação de stress negativo ou negação, vivenciando várias emoções negativas, que o impedem de fazer uma análise cognitiva eficaz e de ter reacção comportamental adequada.
Quando se avaliou os factores que contribuíram para reabilitações mais eficazes, verificou-se que a aptidão que o atleta tinha para lidar com o stress, influenciava nos períodos de reabilitação, ou seja, a reabilitação ocorria mais rapidamente.
Sucintamente, a reabilitação do atleta não passa apenas por factores fisiológicos, havendo a necessidade de avaliar o efeito psicológico que a lesão desencadeou no atleta. Nos estudos realizados, é referido que a intervenção psicológica durante a reabilitação, nomeadamente através de técnicas de gestão do stress, torna-a mais eficaz.
Actualmente, surge a noção que, quando que se introduz a componente psicológica nestes processos, reduzem-se os “altos-e-baixos” típicos destas.
Para Becker (2000), as mudanças na vida diária do desportista, depois da lesão, são drásticas e em todos os aspectos: desportivo, físico, psicológico e psicossocial.
Trabalhar em conjunto com uma equipa multidisciplinar, torna a reabilitação mais eficaz. As respostas do atleta às lesões que sofreram são estudadas fielmente pela psicologia do desporto, onde se pode constatar que, sem esse estudo, a recuperação do atleta será mais tardia.
Carla Roque
Psicóloga Clínica